A primeira etapa de negociações durante a COP29 chega ao fim nesta sábado, 16, em Baku, no Azerbaijão. e muito tem se falado da importância de se definir o montante do financiamento climático. Mas você sabe o que é exatamente esse tal de financiamento climático?
Todos os países, ricos ou pobres, precisam se preparar para as mudanças do clima. Para nos adaptarmos a um planeta mais quente, precisamos proteger a agricultura, lidar com o aumento do nível mar e transformar a infraestrutura das cidades mais resistentes. E como a gente faz isso?
- Diminuindo as causas do problema, como reduzir as emissões de gases do efeito estufa (aqueles que esquentam o planeta). Isso pode envolver investir em energias renováveis, como solar e eólica, ou em tecnologias mais limpas.
- Preparando “a casa “para as mudanças que já estão acontecendo, como secas mais longas, enchentes mais frequentes e aumento do nível do mar. .
Isso pode parecer difícil e caro no começo, mas, no longo prazo, traz muitos benefícios, como uma economia mais forte e comunidades mais seguras.
O problema é que países que contribuíram pouco para as emissões de gases de efeito estufa sofrem mais as consequências dos extremos climáticos. Nada mais justo, portanto, que aquelas nações desenvolvidas, responsáveis por poluírem mais, ajudem quem não pode a combater as mudanças do clima.
Desde a Conferência Rio 92, os países desenvolvidos se comprometeram a apoiar financeiramente as nações em desenvolvimento, reconhecendo sua responsabilidade histórica nas emissões de carbono. Em 2009, na COP15, no Acordo de Copenhague de 2009 começaram as negociações para ajuda – compromisso que foi reiterado no Acordo de Paris, em 2015, determinando uma ajuda de R$ 100 bilhões por ano até 2025. No entanto, esse objetivo não foi atingido.
“Os países desenvolvidos deverão proporcionar recursos financeiros e prestar assistência aos países em desenvolvimento para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, diz o artigo 8 do Acordo de Paris.
A ONU fez a conta: o mundo precisa atualmente de um investimento anual de US$ 2,4 trilhões até 2030 para enfrentar a crise climática. Desse total, US$ 1 trilhão deveria ser pago pelas nações ricas. Esse valor é, pelo menos, três vezes mais do que previa o fundo criado no Acordo de Paris.
Os países desenvolvidos argumentam, porém, que não têm orçamento para tanto, enquanto especialistas afirmam que a demora para mobilizar recursos pode comprometer a capacidade de adaptação dos países mais pobres. E é isso que o grupo G77+ China, que reúne 125 países, incluindo o Brasil, defende nas negociações com as nações mais desenvolvidas.
Como bem lembrou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, no primeiro dia a Conferência do Clima, em Baku, “nesta COP, o indicador de sucesso, para além de tantos temas que estão postos aqui, são os mecanismos de financiamento, sem o que aquilo que nós anunciamos, serão apenas enunciados. Sem os meios de implementação, não haverá como tirar as metas climáticas dos países da teoria para a prática”.