Por Fabrício Queiroz
O segundo domingo de outubro se aproxima e traz consigo todo o simbolismo que o Círio de Nazaré tem para os paraenses. Devoção, solidariedade, turismo, culinária regional e cultura popular são apenas alguns dos ingredientes que, assim como a maniçoba, permanecem por longos dias para serem apreciados e celebrados neste mês marcado por “dias de alegria e muita fé”, como lembra o tradicional samba-enredo.
Os números do Círio são grandiosos. São 232 edições da festividade, 14 procissões que atraem 7 milhões de pessoas, sendo que 2,3 milhões é o público esperado apenas na grande procissão que ocorre no domingo, 13. Além disso, mais de 89 mil turistas e um impacto econômico estimado em cerca de R$ 189 milhões também fazem parte dessa soma, que, apesar de volumosa, ainda não traduz a relevância do Círio.
A importância é tanta que cada vez mais o Círio de Nazaré vem atraindo a atenção de artistas e personalidades políticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, é uma das presenças ilustres confirmadas na capital neste sábado, 12, para acompanhar o Círio Fluvial, quando a imagem peregrina percorre e abençoa os ribeirinhos e as águas da Baía do Guajará.
Já o ator e apresentador Paulo Vieira disse que irá pelo segundo ano na corda dos promesseiros. Em 2023, ele virou romeiro e gravou a experiência para o programa “Avisa lá que eu vou”. Nas redes sociais, Paulo Vieira revelou ter alcançado uma graça com a intercessão da Virgem de Nazaré: a inclusão do seu programa na grade da TV aberta.
No entanto, mais do que isso, a melhor demonstração do que representa o Círio está no intangível. Há 20 anos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) inscreveu em seu Livro de Celebrações o Círio de Nazaré como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Nove anos mais tarde o reconhecimento foi da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que declarou a manifestação Patrimônio Cultural da Humanidade.

Os títulos ajudam a dar visibilidade à festividade e contemplam toda sua diversidade de símbolos e tradições, como as imagens da Virgem, as procissões, os milagres, os mantos, os brinquedos de miriti, o arraial, as canções, o arrastão do Círio, as comidas típicas, o Auto do Círio, a Festa da Chiquita e tantos outros elementos que vão além da religiosidade, abarcando o modo de vida e a identidade de um evento com a cara do Pará e da Amazônia.
E como quando se fala de Amazônia é sempre em termos plurais, assim também é com o Círio, que, como diz a canção de Fafá de Belém: “É fato que a palavra não alcança / Não cabe perguntar o que ele é / O Círio ao coração do paraense / É coisa que não sei dizer… / Deixa pra lá”.
É tempo de celebrar! Feliz Círio!