“Elas só fazem o bem. Elas produzem o alimento que a gente consome”. A frase é de Marinete Benício, da comunidade Alto Corací, em Paragominas, falando sobre as novas parceiras do trabalho no campo: as abelhas. Marinete faz parte do grupo de 20 mulheres do município que encontrou na meliponicultura – a criação de abelhas sem ferrão do gênero Melipona – um novo estímulo para cuidar da biodiversidade e desenvolver novas atividades econômicas sustentáveis.
As agricultoras participaram do projeto “Meliponicultura para Mulheres”, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com Associação Abelha, Embrapa, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Polinização e Sindicato Rural de Paragominas, que busca divulgar conhecimento sobre as espécies e a relação delas com as plantas.
Como parte da ação, as mulheres da comunidade receberam a doação de colônias para praticar os conhecimentos sobre manejo adquiridos e evoluir na atividade que ajuda a incrementar outras práticas.
Pesquisas recentes demonstram, por exemplo, que a introdução de colmeias em plantios de açaí pode aumentar de 30% a 70% a produtividade dos açaizeiros.
“É uma atividade inclusiva, que mulheres, crianças e pessoas idosas podem aprender. Promove segurança alimentar, geração de renda e a conservação da biodiversidade”, diz a pesquisadora Márcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental
Maués ressalta ainda que a meliponicultura não precisa de equipamentos sofisticados e pode ser desenvolvido próximo das residências.
Mais de 250 espécies
O Brasil e o Pará em especial têm grande potencial para a meliponicultura. No País, há mais de 250 espécies de abelhas nativas conhecidas pela ciência, de um total de 600 descritas mundialmente. Somente no Pará estão 119 dessas espécies de abelhas sem ferrão, o que representa 48% do total do país.

A criação e o manejo dessas abelhas ainda é desconhecido por muita gente, mas é responsável por diversos impactos positivos, como o avanço de pesquisas com descobertas de novas espécies na região e estudos sobre a importância da polinização para a agricultura e para a manutenção da floresta.
“A minha visão das abelhas mudou completamente. Antes eu achava que eram uma ameaça, um perigo. Hoje eu quero me aproximar cada vez mais delas e conhecê-las mais”, conta Núbia de Souza, da comunidade Vila Formosa, que é uma nova apaixonada pela meliponicultura.
Além do papel importante para o ecossistema, as abelhas são aliadas de processos de restauração florestal, estimulam o surgimento de novos negócios com produtos como mel e própolis e podem ser exploradas comercialmente a partir dos seus serviços ambientais.