Prestes a sediar a COP30, o mais importante evento climático do mundo, o Brasil enfrenta críticas por tentar avançar com projetos de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. A queima de combustíveis fósseis nas atividades industriais é apontada como uma das principais responsáveis pela aceleração das mudanças climáticas nos últimos anos . A polêmica foi um dos temas tratados pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 em entrevista ao programa Roda Viva.
Para ele, o Brasil deve seguir o compromisso do Acordo de Paris de se afastar cada vez mais dos combustíveis fósseis. Na COP28, em Dubai, os países–membro, incluindo o Brasil, também concordaram em caminhar para o abandono do uso de gás e petróleo de forma justa e ordenada para mitigar os impactos da mudança do clima. Apesar disso, o embaixador considera que as decisões devem ser tomadas dentro de um contexto.
“O Brasil tem que explorar as possibilidades que existem para o País. A decisão tem que ser tomada depois de um debate nacional”, afirmou André Corrêa do Lago.
Em entrevista à Agência Pública, o embaixador explicou que um grupo de especialistas brasileiros está elaborando um estudo sobre a questão e aponta que há diferentes desafios para os diversos países.
Há países que têm sua economia baseada nessa exploração, enquanto outros não têm reserva alguma, além de casos de países desenvolvidos com exploração de longa duração e outros emergentes que começaram há pouco tempo. Essa diferença de posições e argumentos é que deve ser levada em conta e está mobilizando o debate entre os países, segundo avalia o presidente da COP30.
Indígenas e quilombolas
Durante o programa, André Corrêa do Lago também falou sobre a necessidade de aproximação da organização com populações indígenas e quilombolas. Os povos quilombolas, por exemplo, não foram citados na primeira carta da presidência, mas o embaixador afirma que estão sendo construídas estratégias para garantir a participação dessas comunidades. Em relação a isso, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) divulgou uma carta no mês passado, pedindo mais participação em debates sobre o evento..
Outro ponto destacado foi a expectativa pelo lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) durante a conferência do clima em Belém. A ideia lançada pelo Brasil é de garantir a captação inicial de US$ 25 bilhões para financiar projetos que beneficiem a conservação de florestas tropicais em todo o planeta.
“O que temos ouvido do mercado financeiro que o que está faltando é na realidade são esses primeiros 25 bilhões [de dólares] que precisam entrar para que tenham a expectativa de mais 100 bi. Reconheço que neste momento o que está faltando é esse comprometimento de fundos soberanos para os primeiros 25 bilhões, mas ouço dos investidores que tendo esses 25 de início, aparecerão 100”, garantiu Corrêa do Lago.
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