A recente concessão de 10 mil hectares na APA Triunfo do Xingu para restauração florestal marcou o início de um novo projeto no Pará que alia o reflorestamento de uma área desmatada com a geração de renda a partir dos serviços ambientais. Essa pode ser uma saída para muitas regiões com floresta secundária e baixa aptidão agrícola. E o potencial do estado é grande, como aponta um novo estudo do Amazônia 2030 em parceria com o Imazon.
O trabalho intitulado “A Vocação da Restauração Florestal na Amazônia com Base na Vegetação Secundária” mostra que existem na região 5,7 milhões de hectares de vegetação secundária com pelo menos seis anos de idade. Desse total, 4 milhões de hectares estão em áreas de baixo potencial agrícola, ou seja, não servem para o cultivo de grãos, mas podem ser recuperados.
Os estados que concentram as maiores áreas de vegetação secundária nessas condições são o Pará (1,88 milhões de hectares), Amazonas (612 mil hectares) e Mato Grosso (606 mil hectares). Além disso, a pesquisa indica que esses territórios podem ser encontrados principalmente em imóveis privados do Sistema de Gestão Fundiária (29%), áreas públicas não destinadas (16%), áreas com Cadastro Ambiental Rural (15%) e assentamentos rurais (15%).
A ideia é que esses dados sirvam de base para a construção de políticas públicas que atendam às necessidades dessas regiões, estimulando novas oportunidades econômicas.
“Podem incluir essas áreas em programas de recuperação ambiental, para passar a ser um ativo florestal no CAR, por exemplo”, sugeriu ao Um Só Planeta Paulo Amaral, pesquisador associado do Imazon.
Baixo custo
Além disso, a restauração florestal é uma estratégia de baixo custo que auxilia na mitigação das mudanças climáticas, removendo CO₂ da atmosfera, recuperando a biodiversidade e ajudando na regulação climática
Para isso, no entanto, a pesquisa reforça que é preciso que haja um esforço coordenado entre políticas públicas, com incentivos econômicos e estratégias de governança territorial. Entre as recomendações para isso estão a criação de um sistema de monitoramento contínuo da vegetação secundária, a implementação de incentivos para proprietários rurais que transformem terras agricultáveis em áreas florestais e fortalecimento das concessões florestais como estratégia para a recuperação de áreas degradadas.
“A vegetação secundária é a forma mais barata de restauração florestal na Amazônia e no Brasil”, ressalta o pesquisador, que destaca que a região conta ainda com um total de 29,7 milhões de hectares de áreas desmatadas com potencial para a restauração florestal por meio da regeneração natural, isto é, sem intervenção humana.
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